@reitchelkomch

Reitchel Komch

Minibio

Artista visual. De tendência neoexpressionista, atua em suportes diversos — com foco em revisões de mitologias ancestrais (o Iroko africano, p. ex.) enquanto dispositivos para visibilidade de grupos historicamente marginalizados. Sua formação se inicia nas oficinas na EAV-Parque Lage com Brígida Balthar, Chico Cunha, David Cury, Efrain Almeida, João Magalhães, Luiz Ernesto e Marcelo Campos a partir de 2010. Faz a Escola Sem Sítio com Cadu, Efrain Almeida, Marcelo Campos e Marisa Flórido (Imersões Poéticas, 2017) e com Efrain Almeida (Poéticas em Processo, desde 2018). Em 2019 faz Acompanhamento & Diálogo para Artistas com Daniela Name. Realiza a mostra individual Dos Gestos e do Tempo: uma Intersecção dos Olhares no Espaço Correios (Niterói, 2019); Igbá Odù: Nos braços fortes da memória Centro Cultural Correios (Rio, 2025). Entre outras coletivas, integra 14° Salão de Artistas sem Galeria na Zipper Galeria (SP, 2023), Territórios Insustentáveis - Consulado Geral da Argentina (Rio, 2022); 16° Abre Alas - Galeria Gentil Carioca (Rio, 2020);A Melancolia da Paisagem na Galeria Sem Título Arte (Fortaleza, 2019); O Corpo e o Feminismo no Centro Cultural da Justiça Federal (Rio, 2018); Intersubjetividades no Espaço Correios (Niterói, 2017) e Flutuantes no Paço Imperial (Rio, 2018). Vive e trabalha no Rio de Janeiro.

Ojo Awo (A Sabedoria) – da série Ìgbá bàbá mi!

24 cm x 30 cm x 22 cm
argila, cabaças
2025

Ojó Obatalá (A Criação) – da série Ìgbá bàbá mi!

30 cm x 28 cm x 14 cm
argila, fibras naturais
2025

Àlùkò! (ave da boa sorte) – da série Ìgbá bàbá mi!

31 cm x 100 cm x 19 cm
argila, fibras naturais
2025

  • Ojo Awo, Ojó Obatalá e Àlùkò!

No conjunto as obras falam de transformação, vitalidade e memória material.

O vaso deixa de ser apenas um objeto funcional e se torna um corpo que respira, sente e se comunica através das fibras e cores que dele emergem.

É uma celebração da energia vital que se move entre o natural e o humano, entre o silêncio da terra e o som dos fios coloridos que se estendem no espaço.

Entre a terra e o fio, um corpo se ergue.

Modelado pelas mãos, o vaso guarda em si a memória do gesto — irregular, pulsante, vivo. A superfície, marcada pelo fogo, revela o encontro entre o acaso e a intenção, como se cada camada de argila conservasse o sopro do tempo.

De dentro dele, um fluxo colorido emerge. Fios entrelaçados, trançados, torcidos — linhas que escapam do interior e se derramam pelo espaço, desenhando caminhos possíveis. É como se a matéria respirasse, deixando brotar o que nela sempre esteve em silêncio: a energia, a memória, o movimento.

O contraste entre o peso da cerâmica e a leveza dos fios cria um diálogo entre opostos — entre o que contém e o que se expande, entre o corpo e o espírito, entre a origem e o devir. O vaso torna-se então mais que um recipiente: é um ser em transformação, um ventre que exala cor, vida e continuidade.

Nessa união entre argila e fibra, o trabalho fala de conexões invisíveis, de histórias que se entrelaçam, de forças que insistem em nascer mesmo das superfícies mais densas.

Um convite a ver o gesto artesanal não apenas como forma, mas como respiração da matéria — onde o tempo, o corpo e o movimento se encontram em equilíbrio instável e poético.



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